sábado, 13 de outubro de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Carta do Zé agricultor para Luis da cidade.
A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por
Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio
ambiental e empresário, diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA
88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia Prezado Luis, quanto tempo.
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque
o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato
sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a
pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era
eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da
noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de
meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas.
Por isso eu só vivia com sono.
Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês.
Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só
que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da
cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos
destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive
que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os
matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode
fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha,
mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da
água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve
ser verdade, né Luis
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ..) contratei Juca,
filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário
mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num
quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram
umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que
se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora
extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as
vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô,
bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche
tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama,
só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender
no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra
ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer
parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa,
desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas
leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que
ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado.
Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem
fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite
às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o
carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o
leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância
do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha
que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do
rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de
digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu
sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me
multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as
telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez,
por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas
básicas pro orfanato da cidade.
Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água
do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo
protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar
no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios
ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que
alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio
limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato
agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então,
Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava
morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair
por cima da casa
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no
Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim
fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e
ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da
casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi
uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi
os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a
20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco
o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida
da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha,
não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que
a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro
da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio
eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e
só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a
geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha,
nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha,
fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não
existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados
verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o
quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural
e o meio urbano.)
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Inteligência com elegância...
Retirei de um blog:
Inteligência com elegância...
"O casamento de Jennifer se aproximava rapidamente. Nada diminuía sua alegria. Nem mesmo o divórcio complicado de seus pais. Sua mãe encontrara o vestido perfeito para usar e seria a mais bem vestida mãe de noiva jamais vista! Uma semana depois, Jennifer soube horrorizada, que a nova e jovem mulher de seu pai tinha comprado o mesmo vestido de sua mãe. Jennifer lhe pediu para trocá-lo, mas ela se recusou: “De modo algum, eu fico linda nesse vestido e vou usá-lo”, foi a resposta da moça. Jennifer contou para a mãe que ouviu a notícia muito tranquila: ”Não se incomode, filha, eu compro outro vestido. Afinal, é o seu dia”.
Alguns dias depois as duas saíram para as compras e a mãe comprou outro lindo vestido. Quando pararam para almoçar a moça perguntou: “Mãe, você não vai trocar aquele outro vestido? Afinal você não terá nenhuma ocasião tão especial para usa-lo”. A mãe sorriu e respondeu: “Claro que tenho querida. Irei usá-lo no jantar do ensaio, na noite anterior ao seu casamento...”
Agora pergunto: há alguma mulher lendo isto aqui que não tenha adorado essa história?
Mulheres são anjos, mas quando alguém quebra suas asas, simplesmente continuam a voar numa vassoura."
Um brinde às mulheres maduras, espertas e muito inteligentes.
Rsrsrs, adorei a elegância!!
domingo, 22 de abril de 2012
NATAL ---- (-AMOXICIL) INA
Vamos montar um quebra cabeça?
Prestem atenção
O dia que Jesus nasceu
Agora o sufixo dos antibióticos
Não entenderam nada não é ?
Eu também não
Quando li aqueles papeis
Quase cem folhas a ler
Uma análise desconjunta
De informações desunidas
Como um amontoado gelado
Que nem consigo descrever
Prontuários, discussões, relatórios
Descrições de uma parte isolada
De um corpo carente
De um ser humano desamparado
Que nunca deve ter sentido o prazer
De se sentir olhado
E muito menos observado
Agora vem para as minhas mãos
O que fazer Meu Deus ?
E com grande ansiedade
Que assisto atônita a descrição
De uma variedade
De frases de pessoas que
Penso eu não devem ter um coração
É apenas um membro
Que agora doente
Que sofreu um processo de desintegração
Porque não teve a chance
Da mais antiga forma de cura
Da humanidade provar
Sem um elo com a medicina tradicional formar
Ta na hora de a esse povo ensinar
A renascer cada manhã
E ao ser humano olhar
Como um corpo a se cuidar
E não apenas um membro direito
Tentar de uma maneira totalmente fria
Achar que está fazendo o máximo
E pensar que está a curar!
A alguém que nem sabe que existo e que me importo com ela –
Os seres humanos com quem convivo sabem para quem é este desabafo!
A nossa paciente mais problemática
Prestem atenção
O dia que Jesus nasceu
Agora o sufixo dos antibióticos
Não entenderam nada não é ?
Eu também não
Quando li aqueles papeis
Quase cem folhas a ler
Uma análise desconjunta
De informações desunidas
Como um amontoado gelado
Que nem consigo descrever
Prontuários, discussões, relatórios
Descrições de uma parte isolada
De um corpo carente
De um ser humano desamparado
Que nunca deve ter sentido o prazer
De se sentir olhado
E muito menos observado
Agora vem para as minhas mãos
O que fazer Meu Deus ?
E com grande ansiedade
Que assisto atônita a descrição
De uma variedade
De frases de pessoas que
Penso eu não devem ter um coração
É apenas um membro
Que agora doente
Que sofreu um processo de desintegração
Porque não teve a chance
Da mais antiga forma de cura
Da humanidade provar
Sem um elo com a medicina tradicional formar
Ta na hora de a esse povo ensinar
A renascer cada manhã
E ao ser humano olhar
Como um corpo a se cuidar
E não apenas um membro direito
Tentar de uma maneira totalmente fria
Achar que está fazendo o máximo
E pensar que está a curar!
A alguém que nem sabe que existo e que me importo com ela –
Os seres humanos com quem convivo sabem para quem é este desabafo!
A nossa paciente mais problemática
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